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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

SOBRE A CONFUSÃO QUE É FEITA EM TORNO DOS VIDEOS EM QUE CAIO FÁBIO AFIRMA QUE A BÍBLIA POSSUI ERROS





Não é de hoje que as pessoas discutem sobre temas fundamentais que norteiam a fé cristã. O mais importante em tudo, e o que de fato vai caracterizar um determinado ensinamento como doutrina ou como heresia é o fato de ser compatível com a confissão de fé dos cristãos.
Crer na inspiração da palavra de Deus, crer na soberania de Deus, no pecado do homem, no sacrifício da cruz de Cristo como sendo um ato necessário e suficiente para libertar o homem do pecado e garantir a sua vida eterna, a crença na ressurreição dos mortos, no juízo, etc.
Temos visto recentemente uma polêmica por parte de alguns jovens calvinistas contra os chamados "liberais", em especial a figura do ex-pastor presbiteriano Caio Fábio D'Araújo filho em função principalmente de alguns de seus vídeos ele afirmar que a bíblia contém erros e que ela não é a palavra de Deus, mas contém a palavra de Deus.
Eu fui a procura dessas informações a fim de elucidar as "meias-verdades" por trás dessa "polêmica". Foi feito tanto alvoroço em torno das declarações do Caio, que eu confesso a vocês que deu um pouco de trabalho para pesquisar tudo e decidir por onde começar. Meu objetivo aqui é deixar um pouco meus posicionamentos de lado e tentar encontrar um fundo de verdade, pois me é sofrível e doloroso ver a Igreja de Jesus contendendo e se segregando por questões secundárias enquanto que unida ela teria um potencial bem maior no que se propõe a fazer, bastando para isso apenas aparar algumas arestas.
Bom, vamos começar pelo Yago então.
A primeira mençao feita ao Caio no site do yago foi no post "Como discutir teologia sem parecer um débil mental: Falácias de apelo"[1]
Ao voltar para minha terra, um amigo me enviou o vídeo do ex-pastor presbiteriano Caio Fábio. Era a filmagem de um programa onde, após exibir um vídeo do Washer sobre a Ira de Deus, ele gasta vários minutos perguntando repetidamente ao espectador, ao som de violoncelos: “você é filho do Deus que odeia?”, tentando gerar um desconforto naqueles que defendem que Deus odeia tanto o pecado quanto o pecador (ainda que haja um amor de Deus que é comum a todos os homens) [1].
Eu particularmente não vejo nenhum ataque nessa postagem, o Yago apenas usou a técnica do Caio Fábio como um exemplo do que seria um apelo à emoção. E quanto ao escopo da postagem, nada tenho a declarar, pois foge dos objetivos do texto.
Vamos então “às heresias”:
No dia 3 de junho de 2013, o Yago posta em seu site o que seria uma refutação de um posicionamento do Caio através de uma citação de Gresham Machen [2]; cita a seguinte fala do Caio disponível no vídeo [3]:
Eu estou em Jesus, eu não estou na Bíblia. [...] O cara que quiser que Jesus e a Bíblia toda deem certo tá danado. [...] Pela Bíblia é melhor a gente acabar esse programa porque está todo mundo danado. [...] eu não ando [conforme o texto bíblico], tanto quanto Jesus [...]. Quem quer andar com Jesus, é assim. Quem quer base bíblica, vira fariseu, joga pedra.
Automaticamente me veio o seguinte questionamento, por que o Caio Fábio afirma que essa compatibilidade entre Jesus e a bíblia toda é impossível? Bom, no contexto da explicação que o Caio fez no vídeo, o que ele quis dizer com a bíblia é ela toda, principalmente a lei de Moisés mais a frente ele fala:
Jesus matou o escrito de dívida que havia contra nós na cruz e esse escrito de dívida não era uma lista do diabo, mas era o diabo se servindo da impossibilidade humana de cumprir 100% da lei de Moisés. E como a própria lei de Moisés dizia que quem obedecesse 99% e fosse transgressor de um só mandamento, era culpado de todos os que não havia transgredido[3].
Portanto, o que eu entendi do vídeo é que o Caio não propõe que arranquemos da bíblia apenas o que Jesus falou e joguemos fora todo o resto, ou que pincemos da bíblia tudo aquilo que gostamos e rejeitemos o que nos desagrada (isso seria um liberalismo descarado). Mas o que dá pra entender nas entrelinhas do seu vídeo, é que ele se refere àquelas igrejas que fazem a maior confusão entre a lei e a graça e continuam a incorporar nos seus cultos elementos da cultura judaica, sendo que a lei nunca salvou a ninguém, mas servia como um espelho para mostrar o quanto somos pecadores e que é impossível para nós nos salvarmos a partir da adoção de rituais da lei mosaica.
Acho que nesse ponto o Caio se expressou de uma forma muito chocante de forma que quem não assistir o vídeo todo não saberá que ele está falando daqueles que querem encontrar uma compatibilidade entre toda a lei e Cristo, sendo que isto não é mais necessário nos dias de hoje.
Bom, mas para aqueles que insistirem nesse ponto, sugiro algumas leituras Mt 5.17-20, Gl 5:14, Gal 4. 18, Gl 4.4, Mt 12.1-3, Jo 8.3-11, Mt 15.12-20.
E o Yago Martins responde com a seguinte citação:
Muitas vezes, tem-se a impressão que o liberal moderno substitui a autoridade da Bíblia pela autoridade de Cristo. Ele diz que não pode aceitar aquilo que considera um ensinamento de perversidade moral do Antigo Testamento, ou os argumentos sofisticados de Paulo. Mas ele se considera o verdadeiro cristão, porque, rejeitando todo o restante da Bíblia, ele só depende de Jesus.
 Então eu concluo que no caso do vídeo do Caio, não se trata de rejeitar todo o restante da bíblia, mas sim de entender qual o papel, qual a funcionalidade daquele texto em especial e se as atuais interpretações de tais textos estão se dando de forma coerente e compatíveis com aquilo que Jesus ensinou para a vida cristã no contexto atual.  O que não pode é que as pessoas utilizem os textos da lei a fim de inventar doutrinas, as quais são facilmente rebatidas a partir da óptica de Cristo.
No dia 28 de setembro de 2013, o Yago escreve mais um texto [4] confrontando as falas do caio. Dessa vez, ele direciona a sua crítica a um foco mais específico, o resto do Novo Testamento, ou seja, Atos dos apóstolos, as epístolas e o apocalipse.
Nas primeiras vezes que eu li o texto da Grande Comissão e vi Cristo dizendo que deveríamos ensinar os discípulos a obedecer tudo o que Ele ordenou, eu fiquei me perguntando onde o resto do Novo Testamento entrava nisto. Não bastaria ficarmos com aquilo que Cristo falou, e só? Se temos os ensinos do próprio Deus-Filho registrados, para que mais palavras de homens mortais?
E mais uma vez cita a mesma fala do texto anterior, onde quem lê nas entrelinhas sabe que fala da lei, embora o Caio tenha falado de uma forma generalizada, talvez pra chocar os que o assistem.
Em seguida, é citado um texto do Caio que pretende responder o que Jesus disse acerca das escrituras e sobre a questão da defesa do escrito bíblico. De fato, Jesus não faz nenhuma defesa acerca da inerrância e autoridade das escrituras, mas mostra qual era a sua finalidade naquele contexto, mostrar que o homem é pecador, incapaz de cumprir a lei e agradar a Deus e testificar profeticamente acerca d’Ele. Sendo que, no contexto de Jesus, a defesa se dava no ambiente acadêmico. Sempre que eu falar Bíblia no contexto de Jesus, leia-se o Antigo Testamento.
O Caio no seu texto vem mostrar que o objetivo principal da missão de Jesus não era formar eruditos defensores dos textos sagrados, mas sim pessoas que testemunhassem do que aprenderam com Ele. (Não quero com isso desmerecer o trabalho de nenhum apologeta, pois o que eles produzem é muito importante para nós principalmente, tendo em vista que não testemunhamos a vida e ressurreição de Cristo.)
É inegável que da Bíblia a gente só tira essas duas conclusões citadas pelo Caio e pelo Yago, acho que o Caio foi muito simplório e reducionista nesse ponto -  não por má vontade, mas por essa mania que o Caio tem de querer simplificar demais as coisas, e é aí que os caras caem matando.
Em seguida, cita um vídeo no qual o Caio comenta os capítulos 9 – 11 de romanos e a sua defesa é que esse texto seria um “um apêndice de um surto paulino”. Nesse caso, eu discordo com o Caio, embora não tenha tanta base e tanta autoridade quanto os dois que debatem. Rm 9 é um texto em especial básico para a construção da doutrina calvinista da predestinação. Não quero entrar nessa discussão, pois isso iria deixar o texto por demais longo; quero apenas deixar dois links sobre o que eu penso do calvinismo e do texto de romanos 9 – 11: [6] [7].
Bom, nesse ponto o Yago acertou, mas Romanos 9 não é assim tão fácil quanto muitos imaginam, acho que o Caio viajou ao tentar simplificar as coisas, descartando essa parte da bíblia. Se fosse simples, não haveriam tantos debates ao longo da história da Igreja em torno desse tema.
No fundo no fundo, esse é o ponto de concordância dos dois:
Ter Jesus como nossa chave hermenêutica significa que nós vamos ler toda a Escritura procurando como cada ensino, cada doutrina e cada livro se relaciona com o Plano maior de Deus na redenção de Cristo, e não que vamos solapar tudo aquilo que não gostamos na Escritura com a desculpa de que “Jesus não pregaria isso” [4].
Espero que todos entendam o que eu quis dizer aqui.
“Infelizmente, ainda há, em pleno século XXI, quem tente opor Jesus aos outros escritores bíblicos.”
Poxa cara, você não entendeu o que o Caio disse e fica aí generalizando. De fato, tem mesmo uns “teólogos” que fazem isso que você está afirmando, mas não acredito ser o caso do Caio, não pelo menos nesse ponto, acho que aqui se tratou apenas de uma gafe interpretativa de uma passagem muito difícil.  Eu acho que a paráfrase do final do texto do Yago foi uma meninice de extrema imaturidade “Ler ou ouvir um sermão de Caio Fábio é ouvir o que o inimigo tem a dizer”. Não acho que seja assim.
Sugiro também para reforçar o que foi dito, o vídeo do Alexandre Costa (concordo em gênero, número e grau o posicionamento do Alexandre), disponível em [8].
Se eu pudesse dar um recado para o Caio Fábio agora eu diria: “a posição de pastor ou de conselheiro espiritual é uma armadilha que a gente mesmo prepara, não é feio nem errado não saber de tudo ou se retratar, ou até mesmo expor o a sua opinião pessoal advertindo que ninguém é obrigado a segui-la, mas independentemente daquilo que eu discordo contigo, louvo a Deus por você existir e pela ajuda que o senhor presta a inúmeras pessoas que sofrem e precisam de uma palavra.”
Em outro vídeo [9], o Caio expõe a sua tréplica adjetivando o Yago, dentre outras coisas, de cartesiano; bom, nesse ponto de vista eu concordo, pois existem inúmeras maneiras de se avaliar um sistema de conhecimentos, por meio da lógica cartesiana típica dos ortodoxos – daí fala-se em sistema cartesiano “ortogonal”, pode-se ver as coisas do ponto de vista da teoria dos sistemas, lógica Fuzzy, dialética e por aí vai. O que eu quero mostrar aqui é que, como o conhecimento evolui, a teologia também deve de certa forma apresentar aberturas para acompanhar a evolução do humano (minha opinião).
Após isso, segue um pequeno desabafo com reclamações do Caio, o que eu achei desnecessário para um cara da idade e experiência de evangelho (ele poderia ter ficado na dele sem trocar juízo com o jovem). No mesmo vídeo, o Caio afirma aquilo que vem a ser o objeto de refutação do Yago:
É assim que fica a alma humana [...] ensinada por essa Bíblia aonde Jesus, Moisés, Josué, Jefté, Sansão… todo mundo está em pé de igualdade. [...] Então tem que levar o que eles disseram aqui no Velho Testamento tão à sério quanto o que Jesus veio e reformou, refez e recomeçou e acabou. Tá tudo igual. Então, é impossível seguir a Jesus e o resto da Bíblia. Não dá!
Aqui ele está falando de prioridade ou de ordem de importância, e não de textos mutuamente exclusivos.
Depois de Jesus, não dá pra seguir o resto da Bíblia toda. Só dá pra seguir da Bíblia o que combina com o que Jesus ensinou. O que não combina, morreu. Esqueça! Virou história, só isso.
Se a intenção aqui era apenas de corroborar o que foi falado no discurso anterior, ele foi infeliz ao falar dessa forma. Mas eu continuo crendo que é correto afirmar que entre o que Jesus falou e alguns textos veterotestamentários existem prioridades bem diferentes, e inverter isso é a principal porta de entrada para as heresias neopentecostais.
O que em Jesus é validado, afirmado e ensinado é a palavra eterna de Deus pra sempre, o que em Jesus não foi validado, ensinado, vivido e encarnado, caiu na caducidade, fazia parte de uma pedagogia do primitivismo da consciência. Morreu! [...] Não dá pra ser de Jesus e obedecer a Bíblia toda. Quem quiser obedecer só a Jesus vai ter que esquecer um monte de coisas da Bíblia que morreram na Cruz.
Se partirmos da premissa que a doutrina dos apóstolos e todo o NT e tudo que o AT fala acerca de Jesus independentemente da linguagem está validado, ensinado, vivido e encarnado em Jesus, o Caio está certo.
Teologuitos da torre de marfim, é melhor vocês sentarem nas suas bengalas e se empalarem, seus idiotados, porque a alma humana está sofrendo essa agonia, dessa mentira que ensinam para as pessoas de que é possível ser crente na Bíblia inteira e temerem Jesus. Não! Quem abraçou o evangelho fez uma escolha radical: deixou pra traz um monte de coisas que já não cabem no odre novo do vinho novo, morreram, entraram em caducidade. [...] É só de Jesus que você precisa. Blasfemo é o que diga outra coisa. Esse blasfema contra o absoluto. Esse troca o verbo encarnado por textos escritos por escribas. Os textos dos escribas eu examino.  Quando eles dão testemunho de Jesus e da vida eterna, e quando mantém a coerência com o que o Cristo de Deus encarnou e ensinou. O que já não mantém a coerência ficou pra traz, virou história. E eu sigo com o ressuscitado.
Xingamentos desnecessários, mas é assim que eles tratam um ao outro, o que eu acho lamentável. O caio apresenta a parábola do vinho novo em odres velhos em um momento mais que oportuno, a qual está inserida em um momento onde Jesus discute o contraponto entre o legalismo e a prática do amor ao próximo, e o que o Caio propõe em especial é esse conhecimento de Deus de vivência prática ainda que contrariando o legalismo do contexto vigente e nesse ponto, eu vejo em Jesus essa possibilidade além do mais, no texto de Mateus 9.10-17 elementos do legalismo judaico que caem em obsolescência diante da práxis de Jesus.
O yago afirma em seu texto [10]:
Porém, com isso, (1.) ele nunca considera que ainda existe uma aplicabilidade da Lei ao crente moderno,
Entendo que, em função do pragmatismo do ensino do Caio, mostrar isso estava fora dos seus objetivos.
(2.) acaba solapando toda a Escritura com uma visão que destrói todo o resto da revelação neotestamentária e até mesmo a própria revelação que temos de Cristo na Escritura (o que foi provado no post passado).
Eu concordo com o Yago, reiterando o que já disse, só que trocaria essa palavra solapando por mutilando e é aí a falha de grande parte de quem sistematiza a bíblia, tais sistematizações são feitas a partir de recortes, o que nunca cobre um assunto por completo e sempre deixa algo mutilado. É muito complicado elaborar uma colcha de retalhos teológica que cubra a todo e qualquer questionamento.
Embora o Yago tenha começado provocando, o caio também o chamou para a briga (Que falta de compostura de ambos). Em seguida, o Yago afirma em seu texto:
O Antigo Testamento é divino, inspirado, sagrado, infalível e útil para nosso ensino e instrução de todo aquele que crê em Cristo.
Concordo plenamente, só tenho uma ressalva a fazer, que tipo de ensino e instrução? Pois devemos convir que estamos falando sobre um cara que lida diariamente com as mais variadas anomalias do meio evangélico e principalmente com aquelas que utilizam o AT como base para as suas doutrinas, talvez por isso o Caio falou dessa forma, afinal de contas, o trabalho dele é principalmente ajudar àquelas vítimas do neopentecostalismo e não discutir teologia de gabinete (jamais quero com isso desmerecer o trabalho dos teólogos sérios, ambos têm a sua relevância, cada um no seu contexto).
O AT é útil para ensinar os crentes, redaguir (sic) os crentes, corrigir os crentes e instruir os crentes em Justiça, que Caio Fábio goste disso ou não!
Ok. Mas vamos olhar um pouco pra fora e ver toda a confusão que o neopentecostalismo está fazendo em torno do AT, não é todo mundo que o entende como a gente não, amigo.
Depois o Yago faz um monte de citações que, eu aposto que o Caio conheça tudo isso, tendo em vista o tempo que tem de crente e no final apenas uma argumentação desnecessária que, a meu ver, não diverge em nada do que o Caio prega há anos – a julgar pela extensa videografia em que ele prega sobre textos do AT.
Conclusão dessa parte: poderiam ter evitado uma baixaria (totalmente desnecessário). Sem contar com o título original do vídeo do Yago, esse tipo de palavreado não deveria ser usado no meio dos crentes “cueiros”? Fiquei com vergonha do Caio nessa hora.
Vamos convir que a Bíblia não é um livro científico e que teologia não é ciência e que, por mais que se tente atribuir um caráter científico aos escritos procurando evidências na biologia, arqueologia, física, história, etc., sabemos que a bíblia por sí só se interpreta e se justifica, o que dá a ela um caráter não-científico, além do mais, toda a teologia é dogmática, por mais liberal que seja e esses dogmas não são falseáveis, tendo em vista que esse é o critério de demarcação do que é ciência segundo Popper.
Mas independentemente disso, eu creio na Bíblia por meio da fé, ainda que Darwin consiga provar a teoria da evolução, pela fé, eu fico com a Bíblia. E se formos considerar toda a história milenar do seu texto, as traduções já feitas, as mais variadas interpretações é possível afirmar que a Bíblia possui erros sim, mas são erros em especial de tradução e de interpretação; o que não me dá o direito de diminuir a sua autoridade como um todo.
No texto seguinte, o Yago tenta sistematizar o pensamento do Caio. Ele parte da premissa que o início do argumento do Caio é a negação da inerrância, na mesma hora, fui examinar o vídeo  onde o Caio fala que a Bíblia contém erros. Nos 2 primeiros minutos do vídeo, o Caio expõe de maneira clara o seu entendimento sobre a relação entre Cristo e o AT citando o exemplo de seu pai, até aí nenhum erro e ainda responde àquela implicância do Yago do texto em [10].
O Yago cita no seu texto a parte mais polêmica do vídeo do Caio, que trata da inerrância, e do fato de que a Bíblia não é nem “um livro de Deus”, que “é um livro do homem” e que “Deus tem livros melhores” (tenso isso). Mas o Yago critica ao Caio na questão da sistematização e erra. O Caio não foi contra a sistematização em sí; ele defende que é impossível sistematizar a Bíblia de capa a capa ou como ele diz:
Sistematizar a Bíblia inteira pra fazer a Bíblia ser coerente consigo mesma o tempo todo, em cada página, em cada verso, em cada letra. O que é impossível.
Então, eu humildemente na minha ignorância pergunto, é possível? Sem deixar nada de fora? É possível provar que a Bíblia é integralmente sistematizável?
É claro que o Caio sistematiza, é claro que ele sabe da importância dessa sistematização, a resposta do Yago foi certa mas fora de contexto e de oportunidade.
Quando o Yago fala:
Ele está “somente rejeitando um sistema teológico e o trocando por outro”.
 Mas é lógico, por isso que não existe apenas uma corrente teológica, senão a teologia seria uma ciência exata. Espero que a questão da sistematização tenha ficado clara.
Eu não acho o Caio arbitrário, de maneira geral não. Mas concordo que soa muito estranho o fato de ele dizer que Deus tem outros livros e que a Bíblia não é o livro de Deus e acho que mais uma vez ele deve explicação.
Até aqui só não entendo por que o Yago não refutou a seguinte fala:
A Bíblia não é inerrante. Nem na literatura; ela tem erros literários, ela não é inerrante na cronologia; ela tem erros cronológicos, ela não é inerrante nas genealogias, ela dá saltos generacionais e só fica em cima das figuras pivotais para marcar a história. Ela não quer ser um livro de ciências sobre como é que o mundo começou [12].
É evidente que por mais liberal que o sujeito seja, a única forma de conhecer a narrativa de Jesus de Nazaré é através da Bíblia (respondendo inclusive à ironia do Jackson Jacques) a questão não é e nunca foi essa. Devemos lembrar também que falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. 1 Coríntios 2:13-16
Assim, devemos considerar o teor espiritual e prático das escrituras, não conhecer a Deus só por teorias, por isso que Jesus ensina sobre o Evangelho e o Evangelho ensina sobre Jesus. Por isso que a gente ora antes de pregar.
Analisando o trabalho do Caio como um todo, o que eu entendi até aqui:
1 – Ele usa a Bíblia como forma de conhecimento de Cristo, mesmo a considerando inerrante.
2 – Ele entende a Bíblia em sua totalidade tomando Jesus como chave hermenêutica e interpretativa.
3 – Acredita que existem pontos na velha aliança que ajudam o cristão, desde que se leia a partir de Jesus.
4 – Crê que existem partes da lei que caíram em obsolescência diante da obra da nova aliança de Cristo.
Acredito que o Caio errou feio ao tentar explicar Rm9-11, mas dizer que Jesus não é a sua chave hermenêutica, e que o que ele prega não é cristianismo é demais.
O Caio diz que “Culto é uma coisa para imbeciloides e idiotados” mas faz cultos frequentemente. Fui ver o vídeo [13] em que ele diz isso, ele não generaliza, e ele está certo no que diz, eu mesmo poderia dar dezenas de exemplo do que ele falou, e culto não deve ser lugar de manipulação (Rm 12.1,2).
Assim que ele tem anunciado sua doutrina e se autoproclamado como o sumo pontífice da interpretação bíblica, afinal de contas, durante dois mil anos, nem mesmo os discípulos compreenderam que Jesus deveria ser a “chave hermenêutica” das Escrituras, mas ele, e somente ele, compreendeu isso.
Pura ironia para chamar o CF de guru, arrogante, etc. É difícil assim entender Jesus como chave hermenêutica da Bíblia? Os teólogos de antigamente já não faziam isso? Cadê a honestidade intelectual?
Acusa Caio de copiar Karl Barth, mas não se dá ao trabalho de refutar o que Barth afirma, vamos tolerar, pois o Judas em questão é o Caio, não o Barth.
Aliás, é incrível como o Caio Fábio consiga defender essas duas proposições tão distintas: ele defende que a Bíblia aponta a Palavra de Deus, mas ao mesmo tempo diz que ela não é suficiente para carregar a Revelação divina;
Mas é claro que existem elementos da revelação divina que Deus guardou para si, ou para uma realidade para além do que vivemos hoje (1 Co 13.9,10, 2 Co 12:2-4).
defende que a Palavra de Deus e a Escritura são conceitos completamente diferentes, mas não consegue extrair a Palavra de Deus de outro lugar que não seja a própria Bíblia! É muita contradição pra uma heresia só!
É muita forçação querer dizer que o cara disse que Escritura e Palavra de Deus são conceitos mutuamente exclusivos.
Para Caio o cristianismo não é um dogma a ser crido ou fé a ser proclamada, antes, é um modo de viver, uma formalidade pela qual a convivência nesse mundo se torna mais agradável, um mero caminho de vida.
Embora as discussões teológicas do Caio sejam, em sua quase maioria, voltados para a vida prática, não há provas no texto do que foi dito em relação a ele.
A discussão em torno de picuinhas pessoais me cansou bastante e ainda por cima me fez trabalhar demais. É lamentável ver o ímpeto inconsequente de um novato confrontando a birra e a imponderabilidade de um pastor mais velho. Mas acredito que há espaço para um diálogo se deixarmos de lado o fator humano. É triste ver tanto xingamento entre aqueles que deveriam ser exemplo para uma igreja emergente, sofrida e confusa com a celeuma teológica e espiritual que existe no seio do protestantismo brasileiro. Mas todo debate é salutar para a aprendizagem e reflexão das escrituras, elas que são o que testifica de Cristo e embasa nossa fé e prática a fim de que tenhamos a mente de Cristo.

REFERÊNCIAS
[1] http://yagomartins.com/2012/11/como-discutir-teologia-sem-parecer-um-debil-mental-falacias-de-dispersao/
[2] http://yagomartins.com/2013/06/profecias-cumpridas-caio-fabio-contra-gresham-machen/
[3] http://www.youtube.com/watch?v=GuCjSuACYMc&feature=youtu.be
[4] http://yagomartins.com/2013/09/nao-caio-fabio-jesus-nao-e-sua-chave-hermeneutica/
[5] http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=05222
[6] http://www.youtube.com/watch?v=9X-4dUYbWD0
[7] http://www.youtube.com/watch?v=9cW3A7z2S6Q
[8] http://www.youtube.com/watch?v=eiM_jMsSv1o
[9] http://www.youtube.com/watch?v=-iMITszNZow&feature=youtu.be
[10] http://yagomartins.com/2013/10/caio-fabio-e-o-antigo-testamento-ou-motivos-para-nao-enfiar-uma-bengala-no-meu-anus/
[11] http://yagomartins.com/2013/12/caio-fabio-como-chave-hermeneutica-trocando-sistematica-por-idolatria/
[12] http://www.youtube.com/watch?v=YfvFGca8m7s.
[13] http://www.youtube.com/watch?v=uvFqGYKpowk&feature=youtu.be

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